Faça backup porque, cedo ou tarde, alguma coisa dará errado — e isso não deveria significar perder seus dados.

Recentemente, uma amiga me procurou para que eu a ajudasse a restaurar os arquivos do OneDrive. O filho percebeu que o notebook que ela estava usando era melhor para jogos. Ela verificou que todos os arquivos estavam na nuvem e, sentindo-se segura, entregou o aparelho para o jovem, para que formatasse a máquina.

Entretanto, quando resolveu consultar seus arquivos em outro computador, se deu conta de que não se lembrava com qual conta estava logada. Não lembrava o login e nem a senha.

Só tinha uma certeza: os arquivos estavam na nuvem, porque viu todos os ícones “verdinhos”, indicando que subiram para o servidor.

Agora, ela só tem uma certeza: eles estão salvos em algum lugar, mas ela não tem acesso a eles.

Tem como ajudar? Difícil, não?

DESASTRE. DESASTRE. DESASTRE.

Vai formatar o computador? Lembre-se de fazer um backup ANTES.

A maneira mais simples é usar um disco externo e simplesmente copiar, pelo menos, os seus arquivos mais importantes.

Alguns amigos e familiares às vezes pedem a minha ajuda para resolver algum problema no PC.

Mas antes de fazer alguma modificação importante, costumo perguntar: - você já fez um backup?

E, invariavelmente, ouço: - Ah, é mesmo, será que precisa? Acho que vai dar tudo certo; não precisa!

Entenda uma coisa: não é uma questão de otimismo ou pessimismo. É uma questão de segurança. Vale a pena colocar anos de fotografias e arquivos importantes em risco?

Além disso, o disco interno do computador (HD ou SSD) pode simplesmente pifar.

Manter uma cópia dos arquivos na nuvem, sincronizados, é considerado um backup.

Mas o principal foco de serviços como OneDrive, GDrive, Dropbox e outros semelhantes é o facilitar a disponibilidade dos seus arquivos em diferentes equipamentos, sem a necessidade de um ‘pendrive’*.

De qualquer forma, se você já fez pelo menos um backup, conferiu se os arquivos foram copiados corretamente e verificou a que estão disponíveis, já pode se considerar mais seguro para fazer qualquer manutenção.

Mas, se está interessado em um sistema mais confiável, talvez seja interessante continuar a leitura.

REDUNDÂNCIA

Se você tem arquivos que considera muito importantes, o recomendável é que faça mais de uma cópia dos seus arquivos e, de preferência, em diferentes lugares.

Pode parecer um exagero, mas uma única cópia pode já ter sido comprometida.

Dois exemplos de que só uma cópia foi insuficiente:

  1. A cópia não havia sido conferida e não foi feita corretamente;
  2. Os arquivos originais foram comprometidos por ransomware, foram sincronizados e, ao final, todos estavam criptografados.

Ransomware’ é um programa malicioso por meio do qual o atacante consegue criptografar os arquivos das suas vítimas. Com isso, para a extorquir essas pessoas, oferecendo uma senha para descriptografar em troca de dinheiro ou, em geral, alguma criptomoeda.

Uma simples sincronização automática nem sempre protege desse ataque, porque à medida em que os arquivos vão sendo criptografados, vão subindo para a nuvem, de modo que, ao final, estão todos iguais.

É verdade que ferramentas de proteção ampliaram as defesas contra esse tipo de ataque. Mas sabemos que os hackers estão sempre um passo à frente.

Nessa situação, uma segunda ou terceira cópia gravada em outro lugar, sem sincronização automática, pode ser, às vezes, o meio mais seguro para garantir a recuperação dos seus arquivos.

Além disso:

  • um arquivo pode se corromper e a sincronização propaga o arquivo corrompido;
  • um arquivo é acidentalmente apagado e a sincronização replica isso;
  • o próprio serviço pode falhar;
  • pode ocorrer perda de acesso (o caso da minha amiga);
  • a conta pode ser excluída, entre vários outros problemas.

HISTÓRICO DE VERSÕES

Além de ter cópias guardadas em diversos lugares, é possível manter também diferentes versões de backup.

Uma das coisas mais desanimadoras ao tentar restaurar um arquivo é perceber que a cópia já estava comprometida. O arquivo pode simplesmente estar corrompido. E todo o sistema que parecia imune a falhas não cumpre a sua função.

Porque não basta ter uma cópia; é preciso preservar uma cópia “boa”.

Exemplo em um disco externo:

  • \backup de 01-01-2026
  • \backup de 01-02-2026
  • \backup de 01-03-2026

Digamos que, ao tentar restaurar a versão mais recente, um arquivo muito importante esteja corrompido.

Com diferentes versões, é possível restaurar uma versão anterior, que ainda não havia sido comprometida.

Nesse aspecto, os serviços de sincronização têm diferenças que poucos conhecem.

  • O OneDrive (pessoal) guarda versões de arquivos por 30 dias.
  • O Google Drive não tem uma data de expiração rígida, mas versões antigas podem ser eliminadas, a não se que você as marque individualmente para que sejam mantidas.
  • O Dropbox guarda versões por 30 dias nos planos Basic, Plus Family, por 180 dias nas versões Professional, Essentials, Standard e Business e por 365 dias nas versões Business Plus, Advanced e Enterprise.

É claro que manter vários backups com diferentes versões está diretamente relacionado com a importância dos dados armazenados.

BACKUP BOM, É BACKUP AUTOMÁTICO, PLANEJADO E GERENCIADO

A grande maioria das pessoas sabe e não tem dúvidas que fazer um backup é recomendado e desejável.

Mas, manter cópias de segurança envolve:

  • custos de armazenamento;
  • espaço para várias versões;
  • necessidade de conferência para saber se as cópias estão íntegras;
  • plano de restauração validado.

E supondo que alguém já se dispôs a investir, seja comprando discos ou espaços para armazenamento, ainda existe um grande problema prático: é preciso LEMBRAR de fazer o backup regularmente.

Se algo pode dar errado, dará. E isso costuma acontecer na pior hora.

Fazer backup costuma ser considerado uma tarefa ‘chata’. Há uma clara razão para isso: quando ele está sendo feito, você não produz nada; só amplia a segurança dos seus dados, mas esse é um valor que não aparece imediatamente.

A importância do backup somente surge no momento em que o DESASTRE acontece.

Para alguns, um histórico de dados de clientes para fins de análise estatística pode ter um valor financeiro considerável.

Para outros, as fotografias dos filhos tem um valor inestimável.

Então, temos que:

  1. Muitos se esquecerão de fazer um backup;
  2. Muitos até farão um backup, mas vão esquecer de fazer isso regularmente;
  3. Outros farão backup, mas não vão lembrar de conferir se os dados foram corretamente gravados e só descobrirão isso na pior hora, quando forem tentar resgatar seus dados após algum evento desastroso.

Como se vê, são muitas coisas que podem dar errado.

Uma das principais vantagens dos serviços de sincronização é justamente o fato de serem automáticos.

Mas como eles têm limitações, o melhor é que você tenha um plano bem estruturado e possa separar um tempo para testar regularmente se o seu backup funciona mesmo caso algum desastre aconteça.

OBSERVAÇÕES FINAIS

O que me inspirou a escrever esse artigo foi o evento que aconteceu com a minha amiga.

Espero que essa leitura seja suficiente para alertar sobre a necessidade de pensar sobre o assunto antes que algum desastre aconteça.

Confesso: só me interessei pelo assunto e comecei a levar a sério a segurança dos arquivos digitais depois de uma perda catastrófica.

A dor nos faz lembrar.

Acredito que não precisa ser assim.

Então, não faça apenas um backup apenas porque o seu computador pode dar problema.

Tenha um plano de backup, procure automatizá-lo e teste regularmente se as cópias estão funcionando, porque ele poderá te tirar de várias enrascadas.